Croqui para uma pseudo-analise do recente caso hondurenho

2009 Setembro 28
por GPS 101

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Uma analise que um pouquinho mais isenta e de cabeca mais fria, deixa mais-do-que claro que o Brasil armou e esta jogando um excelente jogo diplomatico, no qual mesmo que perca ainda assim sai ganhando.

Isso nao tem nada a ver com Zelaya ou nao Zelaya, e sequer tem a ver com Honduras em si. Tem a ver com a relacao de forcas entre Brasil e EUA, e de como o Brasil usa sua superioridade diplomatica (coacao) contra a superioridade militar-financeira (forca-bruta) dos EUA.

Novamente: em uma analise qualquer mais imparcial, menos ideologicamente politizada, a vantagem comparativa do Itamaraty na esfera internacional ficaria MUITO obvia, independentemente de FHC ou Lula, de esquerda ou direita. Porem quando se leva tudo o que se passa pra um bate-boca raso sobre a “esquerdalha petralha”, o outro lado – o institucional – parece nao contar em nada.

Por pior que fosse ou seja a tal ‘esquerdalha petralha’ ninguém teria uma capacidade tão grande de aparelhamento estatal em um pais minimamente democrático. E a oposição não eh nenhuma amadora nanica que fosse deixar isso ocorrer de mãos beijadas, não eh mesmo?

Portanto, dizer que o Brasil “traiu sua linha diplomatica” e “comprou uma briga com Honduras” é muita inocencia, santo deus. Eh ignorar o papel que o Brasil está assumindo na esfera global por pura birra, por razoes politico-ideologico-partidarias pessoais, que nao tem nada a ver com um debate serio sobre geopolitica.

Oras, o Brasil esperou Susan Rice assumir a presidencia rotativa no Conselho de Seguranca da ONU e a antevespera do encontro do G-20 antes de agir. E de modo sutil colocou os EUA em uma cama-de-gato diplomatica, forcando-os (atraves de Rice) a tomar uma posicao contraria a seus proprios interesses na regiao (Am.Central), dando respaldo a seu proprio inimigo regional principal (Brasil) e reforcando o poder de barganha do Brasil durante a cupula.

Se Zelaya vencer, seja em que condição for, até mesmo a de um presidente sem poderes o Brasil e Lula sairão amplamente reforçados, não só na América Latina, mas também na ONU e no G-20. E se a Embaixada for invadida, o Brasil ainda assim ganha: sera o paladino democrata que nao contou com o apoio concreto do malvado EUA.
E Honduras pouco importa!

E apenas para encerrar esta rodada, existe mais uma coisa nessa situacao toda: trata-se de um recado/vinganca-a-frio do ‘Brasil contra os EUA, em relacao ao que eh considerado o “Rio Rubicao” das relacoes entre esferas geopoliticas interamericanas: O Canal do Panama.

Por mais que muitos aqui venham dizer que o “Brasil eh uma merda sem valor, blablabla”, o que ocorre de fato eh que historicamente houve um acordo tacito entre as duas grandes antipodas geopoliticas do continente em relacao a ingerencia militar de um sobre o outro.

O acordo silencioso afirmava que os EUA limitaria sua influencia direta e jamais cruzariam o canal do panama no estabelecimento de bases militares proprias, e o Brasil jamais buscaria auxilio ou opinioes extra-continentais (que afetassem a unipolaridade norte-americana) na resolucao de problemas locais. Ou seja, o acordo nada mais era do que uma extensao da Doutrina Monroe (a America para os Americanos).

Porem apos a eleicao de Obama e a reorientacao geopolitica da politica externa norte-americana rumo Sul – que teve como consequencia mais visivel (mesmo que nao a mais importante) o restabelecimento da Quarta Frota Naval – os EUA basicamente rasgaram o acordo e ‘Cruzaram o Rubicao’, ao abertamente planejarem bases militares norte-americanas em solo Colombiano, a poucas centenas de km da fronteira mais sensivel do Brasil, a amazonica.

Ora, muito antes de Clausewitz os Bizantinos ja sabiam que diplomacia nada mais eh do que a guerra por outros meios, e numa situacao politico-economica na qual os ‘Desenvolvidos’ sao mais do que nunca interdependentes com os ‘Em-Desenvolvimento’, a guerra militar classica nao se constitui na ferramenta com melhor relacao ganho-custo. Neste contexto, a diplomacia faz esse papel de modo muito muito mais eficiente e menos espalhafatoso. As cabecas rolam mas o sangue nao jorra.

Novamente reiterando: o Brasil eh um dos melhores jogadores de ‘Soft PowerWar no tabuleiro geopolitico internacional.

Ora, qualquer pessoa que ja tenha praticado alguma arte marcial sabe que o melhor modo de se derrotar um inimigo mais poderoso eh usar a inercia de sua forca contra este proprio. E considerando-se tudo o que foi dito acima em relacao ao momento atual na Politica Internacional, nada mais apropriado do que mandar um recado sutil ao Hard Power dos EUA: Mije no meu quintal que eu mijo no seu. E gracas ao ‘peso’ dos EUA, estes sao, no momento, obrigados a ‘ceder’ em silencio ao oponente mais ‘fraco’, que neste caso eh também o mais agil e leve.

E assim, o recado foi dado.

Abs.

O Cowboy e o Mundo

2009 Julho 30
por GPS 101

O Cowboy e o Mundo

Ruminações sobre a auto-reapresentação através do mito do super-herói : a Política Externa Norte Americana sob uma perspectiva cultural.


A Política Externa dos EUA tem sido desde sempre marcadamente anti-culturalista, este é um traço inegável do modus operandi do FSI (Foreign Service Institute), que treina diplomatas com cursinhos de uma semana cada, no máximo. O treinamento é estritamente “pratico” e nada teórico. Ou seja, não se aprende bulhufas sobre as culturas com as quais se tem que lidar no dia-a-dia.

Tanto esta verve “pratica” é profunda, que mais de 30% dos Embaixadores dos EUA no exterior não são funcionários de carreira, mas sim indicados políticos do presidente, com alto poder de influencia na Casa Branca, nenhum treinamento em diplomacia, e muuuuito interesses econômicos em jogo. Não fazem política externa como esta deveria ser feita – a base de lenta negociação e longo convencimento: são homens de negócios puxando a sardinha pro seu lado, e tempo é dinheiro. Bom pros EUA a curto prazo, ruim para sua imagem a longo prazo.

Lógico que inevitavelmente uma política externa feita sob estas bases – politicagem e não diplomacia política – só pode resultar em fracassos retumbantes, que tem a toda hora que ser corrigidos, seja por forca das baionetas, a la Clausewitz (a guerra é a diplomacia por outros meios…blablabla), seja por coerção econômica pura e simples, o que inevitavelmente gera muita fricção e conflitos velados.

Apesar de ser um defeito terrível que aleija os esforços puramente diplomáticos do país não se pode dizer que é algo proposital ou malévolo, de modo algum. A matriz puritana profunda dos EUA se baseava em valores espirituais que incluíam a simplicidade no ser, no agir e no pensar. Portanto tem-se – para bem e para mal, que:

1 – Há na cultura dos EUA uma sobrevalorização do trabalho manual (‘hard work’) sobre o trabalho intelectual (‘soft work’), com a constante ridicularização dos ‘eggheads’geeks’, ‘nerds’, e a tendência genérica na sociedade a crer que trabalho intelectual é coisa de desajustados, preguiçosos e/ou incapazes de ganhar dinheiro de ‘modo honesto’ (i.e, no mercado).

Vide o símbolo maior do espírito americano, o Cowboy, um self-made man. Duro, ríspido e sem cultura formal, desta ele não precisa pois pode resolver tudo através dos atributos de sua natural superioridade puritana: carisma (em inglês: charisma, do grego latinizado charísma = sob a graça divina), esperteza (‘wit’), forca e resistência física (‘strength and endurance’), e habilidade motora (‘prowess’: rápido no gatilho, bom no laço e hábil com o cavalo). O Cowboy é o símbolo-mor do ‘Rugged Individualism’ que representa a essência do americanismo, e é o arquétipo mais influente na constituição do mito moderno dos super-heróis.

2 – O puritanismo tinha por base um modo dual de pensar, no qual ou algo era bom (Deus, divino, etc) ou era mau (todo o resto). As regras eram claras e objetivas, e subconscientemente ainda o são: fazemos o que é certo porque somos tementes a lei maior, de Deus, e por isso somos bem-sucedidos. Outros fracassam porque o que fazem é errado, e erram por não obedecem à lei divina (puritano-cristã, claro).

As conseqüências de longo prazo disto são duas: primeiro, um renovado fervor na ‘Mission Civilisatrice’ cristão-européia. Segundo, uma razoavelmente generalizada incapacidade nacional para refletir sobre ‘Grey Areas‘, situações nas quais as coisas não são nem preto nem branco. Isso leva ao terceiro ponto:

3 – O otimismo meio cego, que crê que tudo pode sempre ser resolvido, não importa quão ruim seja a situação. Os puritanos eram otimistas e os Americanos atuais também o são. Crêem sempre em sua própria capacidade de sair de situações difíceis usando sua engenhosidade e capacidade de “trabalhar duro”, não de “pensar duro”. Os super-heróis são isso: não há um único ‘super’ de primeira linha cujo principal dom seja intelectual. Criar um teleporte seria fácil a um gênio de laboratorio e no entanto os supers utilizam capacidades físicas superiores para correr ou voar mais rápido que os seres normais.

Porem o arquétipo do Cowboy não se limita aos super-heróis, a questão é muito mais complexa e a o mito muito mais incorporado ao inconsciente coletivo, sendo incessantemente repetido e reproduzido. Praticamente toda a produção midiática holliwoodiana, bem como as principais séries de TV de ação, aventura, romance e mistério, ficção-cientifica e terror são variações mínimas sobre o tema, sempre ancoradas no tripé puritano fundamental:

  • O indivíduo como unidade privilegiada de toda e qualquer ação relevante (lócus ou topoi);
  • O mundo exterior (i.e, todos e tudo o que não seja familiar ao herói) como ameaça, inimigo ou obstáculo a ser vencido ou conquistado;
  • O obstinado individualismo ‘hands-on’ do herói se sobressaindo à letargia incapacitante da coletividade reinante, superando todas as dificuldades e resolvendo de modo prático e imediato todos os problemas impostos pelo ‘mundo’, gerando no presente o melhor outcome possível para todos os demais, desde que estes aceitem sua natural superioridade puritana.

Os nossos tao amados heróis do cinema e da TV – de Charles Bronson a Vin Diesel, de William Shatner a Harrison Ford – resolvem as situações mais complicadas não por consenso obtido em um debate entre partes iguais, mas através de sua superioridade física e moral, e de engenhosidade não-intelectual. O inimigo/mundo exterior não compreende a linguagem do convencimento; deve ser derrotado de modo incontestável e subjugado de modo a não mais representar perigo ao herói e seus aliados.

De modo geral, estes ainda são os valores da Política Externa norte-americana em sua essência mais pura.

Estes três pontos acima não podem e não devem ser tomados como algo ruim, de modo algum. São características profundas de do povo, assim como os brasileiros tem as suas. Mas não são imexíveis (lembram do Magri?), são imutáveis apenas do ponto de vista racional.  O povo será fruto de sua história quer queira, quer não queira, e como diz o clichê, a história é uma coisa viva, que acontece o tempo todo em todos os lugares, de modo incontrolável.

De fracasso em fracasso, os últimos anos de George Bush parecem ter ensinado uma ou duas coisas ao povo no que se refere a cowboys e seus valores…

Abs.

http://en.wikipedia.org/wiki/Mission_civilisatrice (poisé, wikipédia sinsinhô!)

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Enrolando

2009 Julho 30
por GPS 101

Poise: quem apostou que eu nao conseguiria manter esse blog atualizado venceu. Eu nao consigo mesmo, sou enrolado e preguicoso demais pra isso.

Nao significa que eu tenha desistido: continuo na ativa e, se a pena anda silenciosa, o cerebro definitivamente nao parou. Volto a ativa brevemente para felicidade de uns e tristeza da maioria :-)

abs

Current | Vanguard | Narco War Next Door

2009 Julho 5
por GPS 101

Ruthless drug cartels in Mexico are battling against each other and against the government for control of the drug trade. 2008 was the most violent year in Mexico, with around 6,000 drug-related murders. 2009 looks like it could be even worse. And there are fears that Mexico’s narco-violence could spread north of the border into the U.S. In this one-hour Vanguard report, Laura Ling travels to the border towns of Juarez and Tijuana, Mexico where drugs gangs are fighting for control of the drug routes into the United States. Ling also goes to the city of Culiacan in Sinaloa State, a region that’s known as the birthplace of narco-trafficking in Mexico. Despite the 40,000 federal troops that are patrolling cities across Mexico, violence is increasing and the methods of killings are becoming even more brazen and grotesque. Ling speaks with gun dealers in El Paso, Texas and U.S. officials about the illegal smuggling of weapons into Mexico–90% of the weapons seized in Mexico have been traced back to the U.S. She examines the culture of corruption and lack of public trust in a police force that has become known for working with the cartels.

Current | Vanguard | From Russia With Hate

2009 Julho 5
por GPS 101

From Russia With Hate http://current.com/items/84906361_from-rus…Current’s Christof Putzel investigates a growing movement in Russia where neo-Nazi groups are brutally attacking immigrants and spreading their hate by posting violent videos online.

Current | Vanguard | Iran: America’s Secret War

2009 Julho 5
por GPS 101

Current | Vanguard | Nigeria: Rebels in the Pipeline

2009 Julho 5
por GPS 101

Current’s Mariana van Zeller travels to one of the most unstable regions in the world – Nigeria’s oil-rich Niger Delta. She investigates what’s behind the growing number of kidnappings and attacks in Africa’s largest oil producer and the US’s fifth largest energy supplier.

Current | Vanguard | Indonesia: Modern Day Pirates

2009 Julho 5
por GPS 101

Kaj Larsen goes on a search for modern day pirates in the straits of Malacca, one of the most trafficked seaborne trading routes in the world. Kaj talks to pirate trackers, sailors who have been attacked and visits infamous dens to find the pirates themselves.

Current | Vanguard | Somalia: refugees washing up on Yemen’s shores

2009 Julho 5
por GPS 101

Vanguard correspondents Christof Putzel and Kaj Larsen first ventured toSomalia in the summer of 2006 during a brief period of fragile stability.Shortly after they left, the US backed Ethiopian forces to invade Somaliaand drive out the ruling Islamic Court Union. The country has since plungedback into war, sparking a surge of people to flee their homes. Forced byviolence and poverty, tens of thousands of Somalis risk their lives fleeingSomalia by crossing the Gulf of Aden to reach Yemen. However, many neversurvive the perilous journey.

Current | Vanguard | Angola: Chinatown, Africa

2009 Julho 5
por GPS 101

Chinatown, Africa http://current.com/items/89565630_chinatown-africa.htmIn “Chinatown, Africa”, Vanguard correspondent Mariana van Zeller travels to Angola to investigate China’s rapidly growing presence in Africa. While many welcome China’s investment, others see reason for concern. Chinatown, Africa is revealing look at a growing superpower’s adventures abroad.